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O Início da Cartografia em Portugal


Principais acontecimentos ligados à Cartografia em Portugal.


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1647 - Criação da Aula de Fortificação e Arquitectura Militar

Criação da Aula de Fortificação e Arquitectura Militar, que formaliza o ensino e estabelece a profissão de engenheiro.

Tendo sido precedida pela Aula da Esfera, passará depois a denominar-se Academia Militar da Corte (1675-1779). Aí ensinará Luís Serrão Pimentel (1613-1679).

1701 - Formação da Academia de Fortificação e Artilharia da Praça de Viana do Castelo

Determinar-se-á em 1732 que se estabeleçam mais duas Academias Militares, uma na Praça de Elvas e outra na de Almeida.

Para seguirem a profissão de engenheiros, os candidatos deveriam saber executar "cartas e plantas geográficas", entre outras matérias da sua profissão.

 

1722 - Publicação do Tratado de Manuel de Avezedo Fortes

Publicação do Tratado do modo o mais facil, e o mais exacto de fazer as cartas geograficas... de Manuel de Azevedo Fortes, a que se seguirá, em 1728-1729, O engenheiro portuguez.
1779 - Criação da Academia Real da Marinha

Nos seus estatutos, define-se o curso matemático a ser frequentado pelos aspirantes a oficiais engenheiros, que só depois passarão a "ouvir as lições de Fortificação e Engenharia e a instruírem-se no desenho".

1790 - Criação da Academia de Fortificação

Criação da Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, que finalmente consagra a formação regular dos engenheiros militares.

 

Início dos trabalhos geodésicos em Portugal

Estes trabalhos foram principiados em 1790 sob a direção do matemático e astrónomo Francisco António Ciera (1763-1814).

Neles colaborarão ainda os oficiais do Real Corpo de Engenheiros Carlos Frederico Bernardo de Caula (1766-1835) e Pedro Folque (1757?-1848). Suspensos em 1804, estes trabalhos serão reiniciados 31 anos depois.

1793 - Primeira medição da base Batel-Montijo

Primeira medição efectuada por Francisco António Ciera da base Batel-Montijo, que será repetida no ano seguinte, seguindo-se a grande base na Charneca da Barranha, conhecida por Buarcos-Monte Redondo (1795-1796).

Nova medição da base Batel-Montijo ocorrerá em 1835.

1798 - Fundação da Sociedade Real Marítima

Fundação da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica para o Desenho, Gravura e Impressão das Cartas Hidrográficas, Geográficas e Militares (vulgarmente conhecida apenas por Sociedade Real Marítima).

Organizada em duas classes, a das Cartas Hidrográficas e a das Cartas Geográficas, Militares e Hidráulicas, determina-se ainda que esta Sociedade disponha de uma oficina de desenho e gravura. O estabelecimento desta oficina seria uma das decisões de grande alcance para a Cartografia nacional, não fosse o pouco tempo de duração da Sociedade, que em 1803 apresentará já problemas de funcionamento.

 

"Título III. Da Classe das Cartas Geográficas, Militares e Hidráulicas

I. Terá esta classe por primeiro e principal objecto a publicação da excelente Carta Geográfico-Topográfica do Reino, que Tenho mandado levantar, e em que se está actualmente trabalhando, e que, executada com as mais perfeitas medidas Trigonométricas, e ligada a Observações Astronómicas, nada deixará a desejar.

 

II. Terá a seu cargo o Depósito e a Gravura das Cartas Militares, que se julgar necessário mandar desenhar e gravar, para melhor se determinarem os princípios, com que se deve figurar a defesa do Reino, e seus Domínios Ultramarinos.

 

III. A esta mesma Classe ficará pertencendo o cuidado de fazer desenhar e gravar as Cartas de Canais e outras Obras Hidráulicas, que se julgarem mais próprias, para facilitar as comunicações interiores do Reino, e para se fertilizarem os Terrenos por meio de irrigações. Igualmente Sou Servida incumbi-la do cuidado de publicar as Cartas parciais do Reino, deduzidas da Grande Carta, depois que a mesma se achar terminada, a fim de promover a execução, em todas as Províncias do Reino, de um luminoso, exacto e geral Cadastro de todas elas e dos seus produtos."

 

Extracto do Alvará de 30 de Junho de 1798, que cria a Sociedade Real Marítima, com as incumbências da Classe das Cartas Geográficas, Militares e Hidráulicas (com grafia actualizada).

1799-1800 - Início dos levantamentos da Carta Geral do Reino

Início dos levantamentos topográficos da Carta Geral do Reino, efectuados por vários oficiais do Real Corpo de Engenheiros sob a direcção de Francisco António Ciera.
1802 - Criação do Arquivo Militar

Criação do Arquivo Militar para o depósito de cartas e memórias executadas pelos oficiais do Real Corpo de Engenheiros, bem como para o seu desenho e cópia.

A direcção dos seus trabalhos estará entregue durante muitos anos ao brilhante oficial Marino Miguel Franzini. Este Arquivo será extinto em 1869.

 

 

"Tendo determinado criar por Decreto de 20 de Julho precedente o posto de Inspector das Fronteiras e Costas Marítimas deste Reino, que deverá ser o Comandante em Chefe do Estado-Maior anexo à mesma Inspecção, na conformidade do Regimento interino, que para o mesmo efeito Fui Servido ordenar; e devendo consistir os trabalhos do dito Inspector e dos Oficiais que compõem o Estado-Maior da Inspecção examinar cuidadosamente o estado das Fronteiras e Costas Marítimas, propor os planos de defesa que parecerem mais apropriados, levantar Cartas e Mapas Militares das Praças, Torres e posições que forem ordenadas; e convindo que estes importantes trabalhos sejam fiel e cuidadosamente conservados e colocados com a ordem e método que melhor possa facilitar o uso deles: Sou Servido criar para este efeito um Arquivo Militar, em que se deverão reunir não só todos os trabalhos, a que mando proceder pela Inspecção, mas também todas as Memórias, Cartas, e Planos militares existentes, assim as que respeitam a esta Monarquia e suas Colónias, como os que forem relativos aos Países Estrangeiros.

E considerando Eu a importância de um semelhante Depósito: Hei por bem criar para a direcção dele um Director, que além dos distintos conhecimentos militares e graduação que para isso o deverão habilitar haja de reunir circunstâncias pessoais, que o façam digno da Minha Real Confiança. A este Director, que Sou Servido Criar com a denominação de Director do Arquivo Militar, deverá pertencer a arrecadação das Memórias, Cartas, Planos Militares que existirem no Arquivo, e não lhe será permitido comunicá-los sem que preceda uma ordem Minha especial, ou proferida imediatamente, ou comunicada no Meu Real Nome pelo Meu Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra; devendo ficar subordinados ao Director do Arquivo Militar os Oficiais Militares, mais Empregados que Eu houver de destinar para o serviço do mesmo Arquivo.

O Conselheiro Ministro, e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra o tenha assim entendido e o faça executar em observância das Ordens que para este efeito Fui Servido prescrever-lhe. Palácio de Queluz em 4 de Setembro de 1802."

 

Decreto de 4 de Setembro de 1802, que cria o Arquivo Militar (com grafia actualizada).

1812 - Publicação do Regulamento provisional do Real Corpo de Engenheiros

Este regulamento definia, entre outros aspectos, os trabalhos que competem, em Portugal, aos oficiais engenheiros.

1834 - Reinício dos trabalhos geodésicos

Reinício dos trabalhos geodésicos, sob a direcção de Pedro Folque coadjuvado pelo seu filho Filipe Folque, que assumirá depois a chefia.

No ano seguinte será novamente medida a base Batel-Montijo, sendo depois definidas as normas a seguir no desenho da nova carta geral do Reino e iniciados os levantamentos topográficos (1:10 000).

Os trabalhos serão interrompidos de 1838 a 1843 e ainda perturbados até meados do século pela instabilidade política e social do país.

1841 - Começo da publicação da memória sobre os trabalhos geodésicos de F. Folque

A Academia das Ciências de Lisboa inicia a publicação da Memoria sobre os trabalhos geodesicos executados em Portugal (terminada em 1856), de que Filipe Folque havia sido encarregado pelo governo em 1833, em conjunto com seu pai.

 

Senhor

(...) Se a cultura das ciências exige certas comodidades e tranquilidade de espírito; se todos os trabalhos públicos dependem de estado pacífico dos povos, é evidente que os trabalhos geodésicos não carecem menos destas condições; quem sofre as privações e incómodos inerentes a excursões feitas pelas áridas charnecas e ásperas serras de Portugal, ou entre povos bastante rudes, não precisa que se lhe acumulem as funestas consequências das revoluções continuadas deste malfadado país para esses trabalhos se tornarem absolutamente impraticáveis. Com efeito, os oficiais engenheiros, encarregados destes trabalhos, posto que tenham toda a prudência e bom juízo para viverem em harmonia com os povos por onde têm de passar repetidas vezes, contudo o povo, minimamente desconfiado, vendo-os pelas alturas com óculos e instrumentos, julga quase sempre serem estas causas presságios de guerras ou de novos tributos; se é fácil dissuadi-los desta persuasão em tempos tranquilos, pelo contrário é isto impossível nas circunstâncias revolucionárias; e a experiência nos tem mostrado que, em épocas tais, é preciso abandonar os trabalhos, porque a desconfiança de todos e de tudo torna-se então perigosa. Foram estes os motivos das interrupções que os trabalhos tiveram no decurso dos dois períodos de 1835 a 1838 e de 1843 a 1848, em que tenho estado encarregado desta comissão.

 

Quem tiver lido a história dos trabalhos geodésicos e topográficos da França, facilmente aprecia o tempo e os capitais que devem ter absorvido; e o que a este respeito acontece em França tem sucedido em todos os países que se ocupam de semelhante objecto. O nosso Governo parece ter querido a continuação dos trabalhos geodésicos e a confecção da carta topográfica do reino; mas por um esquecimento inexplicável tem constantemente deixado de propor no orçamento uma certa verba, sem a qual é absurdo esperar que eles possam ter maior e mais regular desenvolvimento. Na verdade, sem construir os sinais ou pirâmides permanentes; sem possuir bons instrumentos, que facilitem as observações e possam garantir a sua exactidão; sem boas pranchetas e mais utensílios, que abreviam os trabalhos topográficos; sem meios prontos para satisfazer todas as mais despesas, de que dependem, como se poderão conseguir tão importantes resultados? Todos sabemos, infelizmente, que o Governo não pode dispor de somas muito avultadas, mas se é verdade que a Carta Topográfica do Reino é um dos fundamentos de uma administração ilustrada, é preciso que se faça algum esforço pecuniário para se conseguir tão importante fim; por pequeno que seja esse esforço, serve ele de grande auxílio, porque o tempo e a perseverança tudo vence.

 

A falta de meios para este ramo do serviço do serviço tem sido tão extraordinária, que não podemos deixar de apresentar alguns factos para esclarecimento de todos. A difícil e dispendiosa medição da Base entre o Montijo e Batel teve por origem o desaparecimento da laje, enterrada no Batel pelo Dr. Ciera em 1794, na qual estava marcado um dos extremos da dita Base. Se logo naquela época se tivessem construído as suas pirâmides permanentes no Montijo e Batel, por certo não se teria feito tanta despesa com a nova medição em 1835. Logo que concluímos esta operação, não podíamos com o funesto exemplo do passado suportar a ideia de se não construírem nos extremos desta base as duas pirâmides permanentes. Cansados de representar os inconvenientes de semelhante falta, e apelando para o sentimentalismo, resolvemos mendigar pelas diversas repartições do Estado os materiais precisos para esta construção; e, empenhando todas as nossas relações e amigos, pudemos finalmente conseguir que em 1838 (pouco depois de sermos dispensados destes trabalhos) se construíssem as referidas pirâmides no Montijo e Batel. É portanto do nosso dever dar neste lugar um testemunho de gratidão às pessoas que mais eficazmente contribuíram para este objecto de serviço e utilidade pública; foram eles Marino Miguel Franzini, Inspector da Cordoaria; João Pedro Nolasco da Cunha, Inspector do Arsenal da Marinha; e José Bento Fava, Inspector das Obras Públicas.

 

Por falta de meios muito diminutos tem sido também o pessoal, empregado em tão vastos trabalhos; e a respeito de instrumentos foi recentemente, em 1845 e 1846, que obtivemos quatro teodolitos de Trougthon de diversas forças e grandezas: pelo mesmo motivo se acham igualmente por construir em todo o reino mais de quarenta pirâmides; sem elas não é possível que os trabalhos da alta geodesia possam continuar; todavia, não sendo essencial que todos se construam ao mesmo tempo, bastaria que, em cada ano, se levantassem cinco ou seis para os trabalhos em grande se desenvolverem suficientemente: cada pirâmide tem 12 e 14 palmos de lado sobre a base e 35 a 40 de altura; e o seu custo médio pode avaliar-se em 240

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0 réis. Além das grandes pirâmides é também necessário construir outras muito mais pequenas e baratas, as quais são às vezes indispensáveis para se formarem as triangulações das ordens inferiores; cada uma poderá importar em 10
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0 réis.

 

A topografia não tem sido fornecida com mais abundância de meios que a geodesia; o nosso Arquivo Militar acha-se tão desprovido de instrumentos que os trabalhos topográficos começaram com uma prancheta emprestada: depois que tomei novamente conta da comissão só em 1844 se passou ordem para no Arsenal do Exército se construírem três sofríveis pranchetas; e em 1845 se encomendaram para França duas alidades de óculo.

 

O desgraçado estado das nossas finanças tendo chegado a todos e a tudo, não é para admirar que os soldos e gratificações dos oficiais engenheiros, empregados nos trabalhos geodésicos do reino, tenham igualmente passado por todas as vicissitudes da época; a natureza porém deste serviço todo especial coloca-os em circunstâncias tão singulares, que seria injusto não as tomar na devida consideração. Os vencimentos legais dos oficiais engenheiros são conhecidos de todos; as enormes despesas, que se fazem nas estradas e estalagens de Portugal, ninguém há que as ignore; os trabalhos geodésicos dependem de contínuas excursões, a maior parte das vezes por serras e charnecas, fora das estradas e povoados; por mais económico que seja um oficial, a experiência tem mostrado que este serviço especial não se pode desempenhar sem sofrer grandes privações e, porventura, sem alguma quebra de dignidade da própria posição social. Se pois com o pagamento regular de seus vencimentos este serviço é penoso, como se poderá ele desempenhar, quando sobre atrasos acrescem pontos, sobre pontos novos atrasos, sobre estes quinzenas, e sobre elas ainda outros atrasos?! Direi mais, acha-se ordenado que as despesas do expediente, de guias e práticos, da construção de pequenos sinais, da condução de instrumentos, etc., sejam feitas pelos oficiais e pagas depois por meio de folhas competentemente legalizadas: acreditar-se-á que a importância destas folhas, que representam dinheiros adiantados ao estado pelos oficiais, lhes seja paga três a cinco meses depois do serviço se ter concluído?! É forçoso confessar que não há zelo, nem brio, nem mesmo amor de ciência, que possa suprir tão intensas e repetidas faltas de meios. (...)

 

Deus guarde a preciosa vida de Vossa Majestade, por muitos e dilatados anos, como todos havemos mister.

 

Lisboa, 3 de Abril de 1848

Filippe Folque

Ten. Cor. Gra. Eng.

 

In: Revista Universal Lisbonense (1848, com grafia actualizada)

1852 - Criação da Direcção dos Trabalhos Geodésicos e Topográficos

Organização do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, criando-se na sua dependência a Direcção dos Trabalhos Geodésicos e Topográficos.

Dirigida pelo oficial Filipe Folque, esta Direcção, por várias vezes remodelada, terá depois diversas designações. Logo a seguir, determina-se o levantamento da carta corográfica 1:100 000.

1856 - Publicação da primeira folha da carta corográfica 1:100 000

Publicação da primeira folha da carta corográfica 1:100 000. O levantamento das 37 folhas desta série estender-se-á por cerca de 40 anos (1853-1892) e a sua publicação por meio século (1856-1904).
1868 - Criação do Depósito Geral da Guerra

Criação do Depósito Geral da Guerra, fundindo o Instituto Geográfico (designação à época da anterior Direcção-Geral dos Trabalhos Geodésicos) e o Arquivo Militar (que não voltará a reorganizar-se). Este Depósito será extinto no ano seguinte, em conjunto com o Arquivo do Corpo de Engenheiros, criado alguns meses antes.
1881 - Início da publicação da carta itinerária militar

Publicação da primeira folha da carta itinerária por divisões militares, 1:250 000, a que se seguirão outras já com seccionamento rectangular (9 fl., 1898-1900; 12 fl., 1903-1921, várias edições; 29 fl., 1927-1938, duas edições).
1891 - Início da publicação da Carta dos Arredores de Lisboa

Publicação da primeira folha das Carta dos arredores de Lisboa 1:20 000.

Editada inicialmente pelo Corpo do Estado-Maior e depois da implantação da República pelo Estado-Maior do Exército, mudará o seu título para Carta topográfica de Portugal após a I Grande Guerra. Esta cobertura será suspensa no começo da década de 1930 e substituída pela Carta militar de Portugal 1:25 000.

1911 - Criação da Secção de Cartografia Militar

Com a reorganização do Exército em 25 de Maio de 1911, é criada, na dependência do seu Estado-Maior, a Secção de Cartografia Militar, tendo em vista "promover o levantamento, rectificação e publicação das cartas topográficas necessárias".
1926 - Publicação do regulamento provisório da Secção de Cartografia Militar do Estado-Maior do Exército

Extrair a portaria

1927 - Início da publicação da Carta Itinerária de Portugal

Início da publicação pela Secção de Cartografia do Estado-Maior do Exército da Carta itinerária de Portugal 1:250 000, com 29 folhas (1927-1933, 1.ª ed.; 1934-1938, 2.ª ed., esta já com referência aos Serviços Cartográficos do Estado-Maior do Exército).
1928 - Início da Carta Militar de Portugal 1:25 000

Divulgação da primeira folha da Carta topográfica militar de Portugal 1:25 000, a título experimental, estando já definidos nesta data o seccionamento do território e a identificação e características das folhas.
1929 - Fusão da Secção de Cartografia Militar

Supressão da Secção de Cartografia Militar e sua fusão no Instituto Geográfico e Cadastral (criado em 1926). Esta fusão será de curta duração mas, mesmo assim, os serviços cartográficos militares não ficarão completamente inactivos.

 

 

"Pelo Decreto n.º 16 926, de 29 de Abril de 1929, que regula a execução dos serviços do Instituto Geográfico e Cadastral (IGC), estipula-se que ele é o organismo central de Cartografia do Continente e Ilhas, sendo da sua competência exclusiva os trabalhos e operações de levantamentos corográficos, topográficos e cadastrais desse território, destinadas à organização das respectivas cartas ou mapas em qualquer escala. As operações de levantamentos fisiográficos destinados à execução de cartas especiais a partir das cartas anteriores são da competência dos organismos oficiais a que estão atribuídos mas as cartas agrícolas serão extraídas pelo IGC dos mapas parcelares do cadastro geométrico da propriedade rústica e publicadas por concelhos em escala conveniente pelo mesmo Instituto. O levantamento e a produção de cartas hidrográficas continuam a cargo do Ministério da Marinha. Os levantamentos de plantas parciais em grande escala, exclusivamente destinadas a fins militares ou ao estudo e execução de melhoramentos materiais (vias de comunicação, obras de hidráulica, etc.) serão elaboradas pelos respectivos serviços públicos. A Repartição competente da 3.ª Direcção Geral do Ministério da Guerra indicará ao IGC quais as obras militares que não devem figurar nas cartas publicadas por este e, no caso de poderem figurar, as convenções a adoptar para a sua representação, assim como deverão indicar as minutas dos levantamentos e cartas topográficas que pela sua natureza militar se devem considerar confidenciais. O IGC fará a conversão das cartas em cartas militares, a partir de normas estabelecidas pela 3.ª Direcção Geral do Ministério da Guerra, que executará nas suas oficinas a impressão das edições suplementares necessárias ao serviço do Exército. Concedem-se ainda no IGC os estágios aos oficiais do exército que a referida 3.ª Direcção achar necessários, indicando anualmente as épocas e o número de estagiários. Os serviços públicos anteriormente referidos deverão facilitar uns aos outros as cartas e outros trabalhos executados, não reservados, a fim de evitar duplicações e despesas; os mesmos serviços públicos poderão requisitar ao IGC as ampliações e reduções dos mapas existentes, assim como a impressão dessas cartas, pagando as respectivas despesas. Só é permitido às entidades particulares a publicação de cartas na escala 1:500 000 ou inferiores, exceptuando-se as "cartas de pequenos trechos de turismo, que deverão antes da publicação ser visadas pelo IGC" (Art.º 10º). Determina-se finalmente que "os oficiais do exército, engenheiros agrónomos e desenhadores, bem como o material que em virtude do presente decreto ficam disponíveis nos respectivos Ministérios, transitarão com as respectivas verbas orçamentais para o IGC" (Art.º 11º)."
1932 - Criação dos Serviços Cartográficos do Exército

Criação dos Serviços Cartográficos do Exército, dando o corpo e a organização adequados à Cartografia militar.

 

Extrair Decreto.

1934 - Começo da publicação regular da Carta militar de Portugal 1:25 000

Começo da publicação regular da Carta militar de Portugal 1:25 000 (série M888), constituída por 640 folhas de cobertura do território continental (actualmente, 633 folhas), cuja 1.ª edição (1928-1965) estará praticamente concluída em 1955.

Outras edições: 2.ª ed., 1938-2003; 3.ª ed., 1951-; 4.ª ed., 1970-; 5.ª ed., 1991-; 6.ª ed., 2008-;

1937 - Introdução dos métodos fotogramétricos na produção dos Serviços Cartográficos do Exército

Começo da substituição nos Serviços Cartográficos do Exército dos métodos clássicos de levantamento pelos fotogramétricos (concluída em 1940).
1938 – Início da 2ª edição da Carta Militar 1:25 000

Esta 2ª edição da série M888 estará concluída em 2003.
1958 - Início da publicação das folhas da Região Autónoma dos Açores na escala de 1:25 000

Começo da edição da primeira cobertura 1:25 000 dos Açores (série M889, 36 folhas): 1.ª ed., 1958-1983; 2.ª ed., 2001-2003.
1959 - Reformulação dos Serviços Cartográficos do Exército

Reformulação dos Serviços Cartográficos do Exército, que passam a denominar-se Serviço Cartográfico do Exército (1959-1993), e mudança das suas instalações da rua Duque de Loulé para a rua da Escola Politécnica (Lisboa).
1961 - Início da publicação da Carta de Portugal - Angola

Início da publicação da Carta de Portugal - Angola 1:250 000, para apoio à Guerra Colonial. As 36 folhas editadas (1961-1962, carta incompleta) reproduzem ou resultam da redução da carta de Angola da Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar (1:250 000 e 1:100 000).
1962 - Início da publicação da Carta de Portugal - Moçambique

Início da publicação da Carta de Portugal - Moçambique 1:250 000, para apoio à Guerra Colonial. As 60 folhas editadas (1961-1962, carta completa) são a reprodução da carta de Moçambique da Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar, na mesma escala e publicada entre ca. 1936 e 1955.
1964 - Início da produção dos fotomapas de Angola e Moçambique

Início provável da difusão do Fotomapa de Angola 1:100 000 (154 folhas, ca. 1964-1973), para apoio às operações militares do Exército português durante a Guerra Colonial, correspondentes ao Norte e Nordeste de Angola que ainda não dispõem nesta altura da carta 1:100 000 produzida pela Junta de Investigações do Ultramar e pelos Serviços Geográficos e Cadastrais de Angola (1957-1969, 465 folhas), da qual utiliza o mesmo seccionamento e identificação. Em 1966, seguir-se-á o Fotomapa de Moçambique, na mesma escala (67 folhas, 1966-1973), cobrindo o Norte desta então colónia portuguesa.
1965 - Conclusão da 1.ª edição da Carta militar 1:25 000 (Continente)

Fim da 1.ª edição da carta 1:25 000 do Continente, que se conclui com a folha das Berlengas.

 

Início da publicação da Carta Militar 1:250 000

 

Início da publicação da Carta militar de Portugal 1:250 000 (série M586, 8 folhas): 2.ª ed.: 1965-1968; 3.ª ed., 1996-1998; 4.ª ed.: 2005.

1966 - Início da publicação da Carta militar 1:50 000

Início da publicação da Carta militar de Portugal 1:50 000, produzida por generalização da carta 1:25 000 e em colaboração com o Defense Mapping Agency dos Estados Unidos da América (175 fl., série M782, continuada pela série M783 a partir de 2006, mantendo o aspecto geral e enquadramento, mas com modificação da simbologia e informação marginal de modo a obedecer aos Standardization Agreement da NATO, STANAG 3676).

O Instituto Geográfico do Exército assumirá em 1993 a responsabilidade total pela produção desta série.

1967 - Início da publicação das folhas da Região Autónoma da Madeira na escala de 1:25 000

Início da edição da primeira cobertura 1:25 000 da Madeira (série P821, 16 folhas): 1.ª ed.: 1967-1976; 2.ª ed.: 2002-2003.
1968 - Início de uma nova edição da Carta da Guiné

Início da nova edição da Carta da Guiné Portuguesa 1:50 000 (série G745, incompleta, 43 folhas, 1968-1975), que retoma a carta na mesma escala editada pela Junta de Investigações do Ultramar (72 folhas, 1953-1966), na qual o Serviço Cartográfico do Exército havia colaborado em trabalhos de restituição.

 

Início da utilização regular da triangulação aérea no SCE

 

A triangulação aérea passa a ser regularmente utilizada na cadeia de produção do Serviço Cartográfico do Exército, simplificando o apoio topográfico no campo.

1972 - Início da edição da carta 1:25 000 de Cabo Verde

Início da edição da carta 1:25 000 de Cabo Verde (série G811, 59 folhas), levantada pelo Serviço Cartográfico do Exército entre 1968 e 1972, que será concluída após a independência.
1975 - Mudança do Serviço Cartográfico do Exército para as actuais instalações

Mudança do Serviço Cartográfico do Exército para as actuais instalações, na avenida Dr. Alfredo Bensaúde (Lisboa).

 

Começo da publicação da Carta do Concelho de Lisboa

 

Começo da publicação da Carta do concelho de Lisboa 1:10 000 (4 folhas, 1975-1981).

1977 - Entrada em funcionamento do sistema de cartografia automática

Entrada em funcionamento do sistema de cartografia automática Kongsberg/Applicon.
1979 - Edição da primeira folha da Carta militar de Portugal 1:25 000 produzida com o recurso a métodos automáticos

 

1986 - Substituição do sistema Kongsberg/Applicon pelo Intergraph 200

 

1988 - Produção das primeiras folhas “digitais” da carta 1:25 000.

1992 - Aquisição dos primeiros recetores GPS (Global Positioning System)

Utilização de imagens de satélite na actualização das pequenas e médias escalas

1993 - Criação do Instituto Geográfico do Exército (IGeoE)

Transformação do Serviço Cartográfico do Exército em Instituto Geográfico do Exército (Decreto-lei n.º 50/93, de 26 de Fevereiro, que aprova a orgânica do Exército).

Dependente do Comando da Logística do Exército Português, compete ao IGeoE a produção de informação geográfica e cartográfica de apoio às necessidades militares, embora grande parte dessa informação seja também disponibilizada para diversos fins civis.

 

Começo da utilização das estações InterPro na aquisição de dados

 

Chegada das estações InterPro com sistema UNIX e software específico (Microstation) para aquisição de dados.

1995 - Introdução das estações Imagestation, totalmente digitais.

Primeiro projeto do sistema de Informação Geográfica (SIG) Militar

 

Introdução do método de completagem

1996 - Participação no projeto VMap

Participação no projeto VMap no âmbito da NATO (cobertura cartográfica mundial 1:250 000).

 

Atribuição da Medalha de Ouro de Serviços Distintos

 

A Medalha de Serviços Distintos destina-se a galardoar serviços de carácter militar, relevantes e extraordinários, ou actos notáveis de qualquer natureza ligados à vida da instituição militar, de que resulte, em qualquer dos casos, honra e lustre para a Pátria ou para a própria instituição.

Criada em 2 de Outubro de 1863, por decreto da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra, com o nome de Bons Serviços, a segunda de três classes da medalha militar, passa a chamar-se definitivamente Medalha de Serviços Distintos em 1946, através do Decreto n.º 35667, de 28 de Maio de 1946.

1998 - Início da produção da Carta-imagem de Portugal

Início da produção de cartas a partir das imagens do satélite SPOT, sendo editadas, no ano de 2000, 18 folhas da Carta-imagem de Portugal 1:50 000, abrangendo a área a Sul de Santiago do Cacém.

 

Início da edição da Ortofotocarta de Portugal

 

Início da edição da Ortofotocarta de Portugal 1:10 000 (20 folhas, 1998-2001), abrangendo algumas capitais de distrito.

1999- Início da edição da Carta Militar Itinerária de Portugal Continental 1:500 000

Inauguração do observatório astronómico

 

Atribuição da Ordem do Infante D. Henrique (Membro Honorário)

 

A Ordem do Infante D. Henrique é uma Ordem honorífica portuguesa que visa distinguir a prestação de serviços relevantes a Portugal, no País ou no estrangeiro, ou serviços com o intuito de expandir a cultura portuguesa, a sua História e os seus valores.

2003 - Inauguração do monumento ao cartógrafo

2005 - Atribuição ao IGeoE do certificado Sistema Integrado de Qualidade, Ambiente, Segurança e Saúde no Trabalho

Implementação do SERVIR (Sistema de Estações de Referência GPS VIRtuais) - sistema de estações de referência GPS/GNSS

 

Com início em 2006, o objetivo passa por disponibilizar dados para posicionamento em modo Real Time Kinematic (RTK), Differential Global Positioning System (DGPS) e pós-processamento (PP) recorrendo a uma rede de estações de referência Global Navigation Satellite System (GNSS).

Foram colocados 27 recetores e respetivas antenas GNSS em unidades do Exército Português. Este sistema foi implementado tendo em vista a otimização da produção cartográfica do IGeoE, melhorando os índices de aquisição de informação geo-referenciada e a capacidade de atualização da cartografia militar, de uma forma mais rápida e mais precisa, já que o modo tradicional acarretava dificuldades na realização do apoio topográfico, exigindo sempre um esforço maior ao nível de recursos humanos e de logística.

2006 – Início da participação no projeto mundial MGCP

Início da participação no projeto mundial MGCP (Multinational Geospatial Co-Production Program) para produção de informação geográfica à escala 1:50 000 e 1:100 000.

O Projeto nasceu na sequência da conclusão do programa Vmap1 (Vector Map Nível 1). É um Projeto multinacional de informação geográfica em plataforma SIG com exatidão posicional, pormenor, rigor geométrico e densidade de objetos que permitam uma resolução espacial compatível com escalas 1:50 000 ou 1:100 000 e que conta com 29 países participantes. Esta informação destina-se essencialmente a sustentar e apoiar espacialmente os sistemas militares no apoio à decisão, bem como a ações humanitárias. Toda a informação é trabalhada no sistema de coordenadas WGS84.

 

Membro Honorário da Ordem de Santiago da Espada

 

A Ordem Militar de Santiago da Espada é uma Ordem honorífica Portuguesa que herdou o nome da Ordem de Santiago, extinta em 1834, e que é concedida por mérito literário,científico e artístico.

2007 - Início da completagem digital

2010 - Implementação do projeto SIG 3D

O projecto SIG 3D visa a aquisição de dados tridimensionais por processos fotogramétricos, em ambiente SIG, de modo a disponibilizar ao Exército, às Forças Armadas e ao País informação geográfica com atributos alfanuméricos associados (Cadastro Militar), com todas as capacidades de análise de informação (inquirição/seleção, vizinhança, superfícies, redes, sobreposição), resultando numa informação mais completa, consistente e coerente.
2011 – Primeira edição da Carta oficial de estradas de Portugal

Primeira edição da Carta oficial de estradas de Portugal Continental 1:500 000, em parceria com o INIR (Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias).
2015 - Criação do Centro de Informação Geoespacial do Exército

Transformação do Instituto Geográfico do Exército em Centro de Informação Geoespacial do Exército (Decreto Regulamentar nº 11/2015, de 31 de Julho).

Dependente do Comando da Logística do Exército Português, compete ao CIGeoE a produção de informação geográfica e cartográfica de apoio às necessidades militares, embora grande parte dessa informação seja também disponibilizada para diversos fins civis.

Anterrosto do Methodo lusitanico de desenhar as fortificaçoens... (1680) de Luís Serrão Pimentel, engenheiro-mor do Reino.